vegetação da caatinga

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Introdução



A Caatinga é hoje uma das regiões mais ameaçadas do globo pela exploração predatória. As principais causas da degradação ambiental no bioma são a caça, as queimadas e o desmatamento para retirada de lenha. No Nordeste, mais de 30% da matriz energética tem como base a lenha, e a grande maioria da madeira vêm de áreas sem planos de uso sustentável.
A Caatinga é considerada como único bioma exclusivamente brasileiro, grande parte do seu patrimônio biológico não pode ser encontrado em nenhum outro lugar do planeta. Este bioma ocupa uma área de 895 mil quilômetros quadrados, da área total do Nordeste, englobando a maior parte do Estado da Paraíba, parte do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e Minas Gerais. Na Paraíba, dois terços da área total do Estado correspondem ao ecossistema Caatinga.
Rica em biodiversidade e espécies endêmicas, a Caatinga abriga animais e plantas adaptados à escassez de água.

Ambiente Fisiográfico Do Bioma Caatinga
Ocupando quase 10% do território nacional, com 736.833 km², o bioma Caatinga se estende pela totalidade do estado do Ceará (100%) e mais de metade da Bahia (54%), da Paraíba (92%), de Pernambuco (83%), do Piauí (63%) e do Rio Grande do Norte (95%), quase metade de Alagoas (48%) e Sergipe (49%), além de pequenas porções de Minas Gerais (2%) e do Maranhão (1%). Região de clima semi-árido e solo raso e pedregoso, embora relativamente fértil, o bioma é rico em recursos genéticos dada a sua alta biodiversidade. O aspecto agressivo da vegetação contrasta com o colorido diversificado das flores emergentes no período das chuvas, cujo índice pluviométrico varia entre 300 e 800 milímetros anualmente.
A Caatinga apresenta três estratos: arbóreo (8 a 12 metros), arbustivo (2 a 5 metros) e o herbáceo (abaixo de 2 metros). A vegetação adaptou-se ao clima seco para se proteger. As folhas, por exemplo, são finas ou inexistentes. Algumas plantas armazenam água, como os cactos, outras se caracterizam por terem raízes praticamente na superfície do solo para absorver o máximo da chuva. Algumas das espécies mais comuns da região são: a amburana, aroeira, umbu, baraúna, maniçoba, macambira, mandacaru e juazeiro.
No meio de tanta aridez, a Caatinga surpreende com suas "ilhas de umidade" e solos férteis. São os chamados brejos, que quebram a monotonia das condições físicas e geológicas dos sertões. Nessas ilhas é possível produzir quase todos os alimentos e frutas peculiares aos trópicos do mundo. Essas áreas normalmente localizam-se próximas às serras, onde a pluviosidade é maior, devido às chuvas orográficas.
Através de caminhos diversos, os rios regionais saem das bordas das chapadas, percorrem extensas depressões entre os planaltos quentes e secos e acabam chegando ao mar, ou engrossando as águas do São Francisco e do Parnaíba (principais rios que cruzam a Caatinga). Das cabeceiras até as proximidades do mar, os rios com nascente na região permanecem secos por cinco a sete meses do ano. Apenas o canal principal do São Francisco mantém seu fluxo através dos sertões, com águas trazidas de outras regiões climáticas e hídricas.
Quando chove, no início do ano, a paisagem muda muito rapidamente. As árvores cobrem-se de folhas e o solo fica forrado de pequenas plantas. A fauna volta a engordar. Na Caatinga vive a ararinha-azul, ameaçada de extinção. O último exemplar da espécie vivendo na natureza não foi mais visto desde o final de 2000. Outros animais da região são o sapo - cururu, asa-branca, cutia, gambá, preá, veado-catingueiro, tatu-peba e o sagüi-do-nordeste, entre outros. Existe uma proposta de criação em cativeiro de pequenos animais da fauna semi-árida, a exemplo da cutia, preá, capivara etc. como inibição da caça predatória (MENDES, 1987, p.65).
Cerca de 20 milhões de brasileiros vivem na região coberta pela Caatinga, em quase 800 mil km² de área. Quando não chove, o homem do sertão e sua família precisam caminhar quilômetros em busca da água dos açudes. A irregularidade climática é um dos fatores que mais interferem na vida do sertanejo. Mesmo quando chove, o solo pedregoso não consegue armazenar a água que cai e a temperatura elevada (médias entre 25 °C e 29 °C) provoca intensa evaporação. Na longa estiagem os sertões são, muitas vezes, semidesertos que, apesar do tempo nublado, não costumam receber chuva.



A Criação de Áreas Protegidas na Caatinga
Com o objetivo de proteger os biomas brasileiros, inclusive a caatinga, vem crescendo em todo o país a criação de Unidades de Conservação com o incentivo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - Ibama. Tendo por base o Decreto n.º 1.922 de 06/06/96, o SNUC – Sistema Nacional de Unidades de Conservação, Lei nº 9.985 de 18 de julho de 2000 e mais recentemente a Intrução Normativa n.º 24 de 14 de abril de 2004. Atualmente, segundo o I Relatório Nacional para Convenção da Diversidade Biológica o Brasil conta com 8,13 % do território brasileiro legalmente protegidos. As áreas protegidas ocupam apenas 2% do Semi-Árido Brasileiro e a maioria delas não estão na Caatinga.  Podemos verificar que o total de área protegida ainda é insuficiente para a conservação dos recursos naturais e da grande e complexa biodiversidade brasileira e que as Unidades de Conservação já criadas ainda não atingiram os objetivos efetivamente.



QUADRO 01: Porcentagem de áreas protegidas no Brasil
UC´s Protegidas
Tipo (%)
Uso Direto
2,61
Uso Indireto
5,52
Áreas Indígenas
7,3
FONTE: ARRUDA. Luciene Vieira de. Relatório da Comissão Mundial de Áreas Protegidas, 2002.




De acordo com o IV Congresso Internacional de Áreas Protegidas (Caracas, 1992), estipula que deve ser protegido um mínimo de 10 % por bioma. Na realidade esta porcentagem ainda não foi atingida plenamente visto que o total de área protegida por bioma ainda é insuficiente para a conservação da biodiversidade mundial.

Nos últimos 30 mil anos, a destruição da biodiversidade tem sido causada principalmente pelas atividades da espécie humana, e tem se acelerado acentuadamente nos últimos 200 anos. Se ela continuar até o extermínio de todos os ambientes selvagens, serão necessários milhões de anos para a natureza se recuperar (Rodrigues in Kruastas, 1999, p.39).


Com o objetivo de ampliar a área preservada e para fomentar a recuperação ambiental e o uso sustentável dos recursos naturais da Caatinga, o MMA - Ministério do Meio Ambiente criou recentemente o Banco de Dados Geográfico - Cenários para o Bioma Caatinga, que integra o Programa Nacional de Zoneamento Ecológico-Econômico, e a publicação: Avaliação e Ações Prioritárias para Conservação da Biodiversidade do Bioma Caatinga, realizada por meio do ProBio - Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira.